terça-feira, 22 de junho de 2010

Ritmo Ordenado

Bonequinhos Plúmbeos, desperte-me o chumbo de corações maleáveis e vidas platônicas. Só não despertem o desejo de estar estático entre duras e equilibradas bolinhas de gude. Levantem a noite a um patamar acima e esmaltem os corações em proteção à vunerabilidade; A vunerabilidade que é mimesis de pose e distorções, ponderabilidade, prepotência. Pedantes, bonequinhos, simples pedantes lacônicos. Bonequinhos pedantes, olhem acima e reconheçam a ductibilidade das estrelas. Vejam como se transformam em fios. Fios de brilho que decaem progressivamente até mentes espaçadas e fechadas sob redomas gigantes. Redomas gigantes de vidros pequenos; dúcteis vidros; Líquidos vidros; Vidro cortante que desperta o sangue e cessa o vermelho, desperta o chumbo e cessa a vida, desperta o amor e cessa a misericórdia, desperta a vida diante da morte. Olhem para o céu, olhem as estrelas granadas. Vejam o núcleo despedaçado. Olhem abaixo. Não podem mais ver vidas. Estão cegos. Confundem a morte da terra com a vida no céu, as almas terrestres com os corpos celestes, o céu morto e cinza, a terra viva e negra. Agora, chumbinhos, dizem para marcharem em ritmo lento e frenético, dizem para permanecerem inócuos...Fazem-te percorrer um símbolo branco, fazem-te alienar em febres terçãs, fazem-te de gueixas e serviçais, de amores e paz forjados, de dor no verde esperançoso, de branco no verde vital. Eles te falam, eles te enganam, eles se dizem vitalícios, mas bem sabem, bonequinhos, o quão dispensáveis eles são. Mas bem sabem que acabam por depender de seus ventres e quão suas ordens são insignificantes. O tanto de lágrimas no chão vasto. O tão estreito de água numa poça nua e aglomerada. Vejam como o mundo é resultado do sincretismo, vejam como vocês mesmo se colocam sincréticos, e rodam, rodam, e entram em um fluxo gênico tão constante e belo; E rodam como uma furadeira, penetram no chão e nos corações, provocam dores, estragos e monotidão. Vejam como são colocados em um ponto isolado, vejam sua condição gasosa, quão estável, vejam como destinam-se aos centros, tão organizados, vejam como são belos e condenáveis. Vejam como penetram abrupdamente, vejam como pegam um fogo louco tão loucamente, vejam as chamas coloridas da dor, vejam o vermelho estrondoso do amor. Vejam que a vida não traduz mais nada, vejam que tudo se resume em cada...cada nó na garganta, cada bonequinho de chumbo, cada vida que passa por urânios enriquecidos: quando estabilizados chegam ao chumbo. A maleáveis corações plúmbeos.

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